Durante a tarde de hoje, a cidade do Rio de Janeiro foi escolhida como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Em meio às comemorações e ao orgulho inflado de tantos brasileiros que conseguem ver na oportunidade de sediar os maiores jogos esportivos do planeta também uma chance de mudança social está o jornalista Flávio Prado da TV Gazeta, jogando um balde de água fria dos mais pessimistas na vitória nacional. Não é novidade para ninguém desse país que muito provavelmente haverá mau uso do dinheiro destinado às Olimpíadas. Por outro lado, não deixa de ser novidade que ter um espírito derrotista e culpar razões históricas para a má gestão do dinheiro público desde os tempos da colônia não leva a lugar algum.
O jornalista Flávio Prado, apresentador do Mesa Redonda, na TV Gazeta
Em resposta ao colega jornalista, por quem tenho a maior admiração, diria: Flávio, sim, temos mais uma vez a chance de fazer a diferença nesse país. Sim, muito provavelmente, esse dinheiro será mal gasto e sim, talvez as obras atrasem e ouviremos falar muito da incompetência e ladroagem administrativa que tomará conta do processo. O que você sugere, então? Você teria o mesmo empenho que teve ao dizer "coitado do Brasil" de forma tão derrotista para propor uma solução? Você, com uma carreira de tanto sucesso no jornalismo esportivo televisivo brasileiro, seria capaz de propor uma forma de combatermos esse mal que se anuncia?
Prezado colega, já conhecemos o problema de cor e também gostaríamos de ter a chance de duas coisas, nesse dia tão festivo: a primeira, poder comemorar a vitória da candidatura do Rio em paz e a segunda, ter um pouco de esperança que aqui, se não desistirmos, somos ainda capazes de tentar melhorar a forma com que lidamos com problemas crônicos da gestão pública e aspirar por um futuro melhor.
Assim como você, eu também sou uma jornalista apaixonada por esportes e, a exemplo da minha solitária cobertura própria dos Jogos Olímpicos de Pequim, feita nesse blog (e que teve até uma certa repercussão pela blogosfera), mais uma vez estarei com o coração na boca em 2016 quando a competição começar e, nessa ocasião, feliz em dobro pela realização do evento aqui e pela chance de poder cobri-lo in loco. Não é hora de dizer o que vai dar errado, até porque todos nós já sabemos. Devíamos sim gastar as mesmas energias tentando pensar em formas de denunciar e combater esses hábitos perniciosos, além de motivar os espectadores a agirem como cidadãos e ajudarem na fiscalização e bom uso da verba destinada. É até triste, pois fica aquela impressão de uma frase um tanto nociva, disseminada entre nós que diz que "brasileiro não pode ver o sucesso de outro brasileiro".
Espero, por fim, que você tenha noção do quanto é inútil esse tipo de parecer, ainda que tenha todo o direito de fazê-lo. Hoje, além de não ser dia para isso, já que teremos sete anos para ficar de olho, é hora de nos sentirmos contentes por estarmos no Brasil e termos o maior evento esportivo do mundo acontecendo por essas bandas. Ter a chance, única para a grande maioria da população brasileira, de ver de perto os heróis olímpicos e vibrar com eles por seus feitos. É hora de ser um pouco mais verde-amarelo e ficar feliz pelo Rio que representa essa nação inteira. E digo mais, tamanha a indignação que fiquei ao escutar as suas palavras: se você já desistiu de exercer os seus deveres e direitos de cidadão dessa terra, existe uma boa parcela de nós (eu, inclusive) que pretendemos denunciar e cobrar dos políticos por cada passo mal dado em relação a administração financeira do evento. Ao contrário do que você propôs e apesar da nossa condição histórica, não pretendo somar-me ao grupo dos derrotistas que espera que esse país seja jogado no lixo.
Parabéns ao Rio por ter conseguido sagrar-se como sede das Olimpíadas de 2016 e vamos para a festa, porque hoje, mais uma vez, estamos debaixo dos holofotes e a nossa conhecida alegria é o que o mundo espera ver.
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